Capitalismo filantrópico? Múltiplos papéis dos aparelhos privados de hegemonia empresariais

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Virgínia Fontes

Resumo

Não é filantropia o que caracteriza o capitalismo contemporâneo e do qual o Brasil é um ponto de observação privilegiado, por ter experimentado um crescimento brutal das assim chamadas ‘organizações da sociedade civil’ especialmente após 1990. Há vários estudos analisando o avanço do capital sobre recursos públicos (educação, saúde e especialmente a previdência) através de aparelhos privados de hegemonia. Há filantropia no capitalismo – esse é um privilégio da desigualdade. Não existe capitalismo filantrópico. A ampliação do Estado a partir de entidades empresariais sem fins lucrativos não é necessariamente positiva. Marx e Gramsci oferecem trilha sólida para a análise da disseminação em grande escala dos procedimentos burgueses voltados para a ‘esterilização’ das lutas de classes e para o aumento da exploração da força de trabalho. Esta intervenção reune alguns elementos de síntese sobre o significado das diversas gerações de entidades empresariais sem fins lucrativos, e apresenta desafios de pesquisa que precisamos enfrentar.

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Seção
Artigos
Biografia do Autor

Virgínia Fontes, UFF, Fiocruz, Brasil

Historiadora.