Mirantes dialéticos: estado de exceção, fantasmagoria e cultura capitalista

##plugins.themes.bootstrap3.article.main##

Eduardo Rebuá

Resumo

Lastreado na elaboração benjaminiana acerca do estado de exceção e da Fantasmagoria na/da modernidade capitalista, o artigo estabelece três eixos analíticos objetivando erigir o conceito, original, de democracia fantasmagórica: (1) a relação regra-exceção no Estado ampliado brasileiro; (2) os efeitos das fantasmagorias
do capital sobre sujeitos, lutas e sentidos; (3) as dinâmicas hodiernas na cultura sob o capitalismo, como a subsunção da experiência ao valor de troca, corroendo a Erfahrung numa pujante aceleração. A democracia fantasmagórica seria então uma noção oriunda do entendimento de nossa democracia como mercadoria de
alto valor e ao mesmo tempo como uma projeção enganosa/enganadora.

##plugins.themes.bootstrap3.article.details##

Seção
Artigos

Referências

Referências

ADORNO, Gretel; BENJAMIN, Walter. Gretel Adorno y Walter Benjamin. Correspondência 1930-1940. Buenos Aires: Eterna Cadencia, 2011.

ADORNO, Theodor; BENJAMIN, Walter. Correspondência, 1928-1940. São Paulo: Editora Unesp, 2012.

AGAMBEN, Giorgio. Estado de exceção. São Paulo: Boitempo, 2004.

ARANTES, Paulo. “A fórmula mágica da paz social se esgotou”. Correio da Cidadania, 2015. Disponível em: http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=
10949:manchete150715&catid=72:imagens-rolantes . Acesso em: jan. 2015.

BADARÓ MATTOS, Marcelo. E. P. Thompson e a tradição de crítica ativa do materialismo histórico. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2012.

BADIOU, Alain. Em busca do real perdido. 1. ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2017.

BENJAMIN, Walter. Über den Begriff der Geschichte (1942). In: BENJAMIN, Walter. Gesammelte Scriften. Frankfurt a. M., Suhrkamp, 1972-1989. v. 1.2. [Ed. Bras.: Sobre o conceito da História. In: Obras escolhidas. Trad. E org. Sergio Paulo Rouanet. São Paulo, Brasiliense, 1985. v. I.].

BENJAMIN, Walter. “Paris capital do século XIX”. In: KOTHE, Flávio (Org.). Walter Benjamin. São Paulo: Ática, 1985b. p. 30-43.

___. Charles Baudelaire um lírico no auge do capitalismo (Obras escolhidas, v. 3). São Paulo: Brasiliense, 1989.

___. Passagens. BOLLE, Willi (org.). Belo Horizonte: EDUFMG; São Paulo: Imprensa Oficial, 2006.

___. “Experiência e pobreza”. In: O anjo da história. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2012a. p. 83-90.

___. “Sobre o conceito da História”. In.: O anjo da história. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2012b. p. 7-20.

___. O capitalismo com religião. São Paulo: Boitempo, 2013a.

___. Rua de mão única : Infância Berlinense : 1900. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013b.

___. Baudelaire e a modernidade. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2015.

BRAGA, Ruy. A política do precariado: do populismo à hegemonia lulista. São Paulo: Boitempo: USP, 2012.

COUTINHO, Carlos Nelson. Gramsci: um estudo sobre seu pensamento político. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.

___. Cultura e sociedade no Brasil: ensaios sobre ideias e formas. São Paulo: Expressão Popular, 2011.

DEMIER, Felipe. Depois do golpe: a dialética da democracia blindada no Brasil. Rio de Janeiro: Mauad X, 2017.

DOSSE, François. A História. São Paulo: Editora Unesp, 2012.

DUNKER, Christian Ingo Lenz. Mal-estar, sofrimento e sintoma: uma psicopatologia do Brasil entre muros. São Paulo: Boitempo, 2015.

FERNANDES, Florestan. Sociedade de classes e subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Zahar, 1968.

___. Capitalismo dependente e classes sociais na América Latina. Rio de Janeiro: Zahar, 1973.

___. A revolução burguesa no Brasil. Um ensaio de interpretação sociológica. Rio de Janeiro: Zahar, 1974.

FONTES, Virgínia. “Capitalismo, exclusões e inclusão forçada”. Tempo, Rio de Janeiro, vol. 2, n°. 3, 1996, p. 34-58.

___. “Capitalismo em tempos de uberização: do emprego ao trabalho”. Marx e o marxismo, v. 5, n. 8, jan/jun 2017, p. 45-67.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.

GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere - Volume 5: O Risorgimento. Notas sobre a história da Itália. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002a.

¬¬¬___. Cadernos do Cárcere - Volume 6: Literatura. Folclore. Gramática. Apêndices: variantes e índices. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002b.

HOBSBAWM, Eric. Tempos fraturados: cultura e sociedade no século XX. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

IANNI, Octavio. Pensamento social no Brasil. Bauru, SP: EDUSC, 2004.

KANG, Jaeho. O espetáculo da modernidade. Novos Estudos - CEBRAP, nº 84, São Paulo, 2009. p. 215-233.
KAFKA, Franz. O Processo. Barueri, SP: Novo Século Editora, 2017.

KEHL, Maria Rita. O tempo e o cão: a atualidade das depressões. São Paulo: Boitempo, 2015.

___. O bovarismo brasileiro: ensaios. São Paulo: Boitempo, 2018.

KONDER, Leandro. Walter Benjamin: o marxismo da melancolia. Rio de Janeiro: Campus, 1999.

LÖWY, Michael. Walter Benjamin: aviso de incêndio: uma leitura das teses “Sobre o conceito de história”. São Paulo: Boitempo, 2005.

___. “Da tragédia à farsa: o golpe de 2016 no Brasil”. In: Singer, André [et. al]. Jinkings, Ivana; Kim, Doria; Cleto, Murilo (orgs.). Por que gritamos golpe?: para entender o impeachment e a crise. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2016. p. 61-67.

LUKÁCS, György. “Meu caminho para Marx”. In.: Socialismo e democratização: escritos políticos 1956-1971. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2011. p. 37-54

MARX, Karl. O capital: crítica da economia política: Livro I: o processo de produção do capital. São Paulo: Boitempo, 2013.

MATOS, Olgária Chain Féres. Benaminianas: cultura capitalista e fetichismo contemporâneo. São Paulo: Editora UNESP, 2010.

MAZZEO, Antonio Carlos. Estado e burguesia no Brasil: origens da autocracia burguesa. São Paulo: Boitempo, 2015.

MÉSZÁROS, István. A educação para além do capital. São Paulo: Boitempo, 2008.

NEVES, Lúcia Maria Wanderley (org.). A nova pedagogia da hegemonia: estratégias do capital para educar o consenso. São Paulo: Xamã, 2005.

OLIVEIRA, Francisco de. Critica a razão dualista / O ornitorrinco. São Paulo: Boitempo, 2003.

___. “Hegemonia às avessas”. In: BRAGA, Ruy; OLIVEIRA, Francisco de; RIZEK, Cibele (orgs.). Hegemonia às avessas: economia, política e cultura na era da servidão financeira. Sao Paulo: Boitempo, 2010. p. 21-27.

ORTIZ, Renato. “Walter Benjamin e Paris: individualidade e trabalho intelectual”. Tempo Social; Rev. Sociol. USP, S. Paulo, 12 (1), maio de 2000. p. 11-28.

QUERIDO, Fabio Mascaro. “Fetichismo e fantasmagorias da modernidade capitalista: Walter Benjamin leitor de Marx”. Outubro (São Paulo), v. 21, p. 219-240, 2013.

QUIJANO, Anibal. “Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina”. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Buenos Aires: Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales – CLACSO, 2005. p. 227-
278.

RANCIÈRE, Jacques. O ódio à democracia. São Paulo: Boitempo, 2014.

REBUÁ, Eduardo. Da praça ao solo: um novo chão para a universidade. As experiências das universidades populares de Madres de Plaza de Mayo [UPMPM] e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra [ENFF] em tempos de crise neoliberal na América Latina [2000-2010]. Tese [Doutorado em Educação] – Faculdade de Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal Fluminense, 2015.

___. “A Educação Disputada: democracia e sentidos do público no Brasil hodierno - entre o empresariamento e o (neo)conservadorismo”. Universidade e Sociedade, Ano XXVII, Nº 60, 2017a, p. 100-111.

___. “Ensaio Benjaminiano: a experiência como construção de sentidos”. Cadernos Walter Benjamin, V. 19, 2017b, p. 22-41.

___. “Impressões à luz do dia: lulismo, conformismo e um breve balanço de Junho ao Golpe”. Revista En-Fil, Ano 7, n. 8, mar. 2018. p. 1-21.

SAFATLE, Vladimir. Só mais um esforço. São Paulo: Três Estrelas, 2017.

SARLO, Beatriz. Sete ensaios sobre Walter Benjamin e um lampejo. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2013.

SECCO, Lincoln. “O bonapartismo periférico”. Blog da Boitempo, 2012. Disponível em: http://blogdaboitempo.com.br/2012/06/15/o-bonapartismo-periferico/. Acesso em: mai. 2015.

SELIGMANN-SILVA, Márcio. “Walter Benjamin: o estado de exceção entre o político e o estético”. In: Outra Travessia, n. 5, 2º semestre de 2005, p. 25-38.

SEMERARO, Giovanni. “Recriar o público pela democracia popular”. In: FÁVERO, Osmar; SEMERARO, Giovanni (orgs.). Democracia e construção do público no pensamento educacional brasileiro. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.

SENNETT, Richard. A corrosão do caráter: as consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo. Rio de Janeiro: Record, 2011.

THOMPSON, E. P. “The long revolution: part 2”. New Left Review, Londres, n. 10, jul./ago. 1961.

___. A miséria da teoria ou um planetário de erros: uma crítica ao pensamento de Althusser. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.

___. A formação da classe operária inglesa, 1: a árvore da liberdade. São Paulo: Paz e Terra, 2011.

WILLIAMS, Raymond. Cultura e sociedade. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1969.

___. Marxismo e literatura. Rio de Janeiro: Zahar, 1979.

___. Culture. Glasgow: 1981.

___. Palavras-chave: um vocabulário de cultura e sociedade. São Paulo: Boitempo, 2007.

WITTE, Bernd. Walter Benjamin: uma biografia. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2017.

ŽIŽEK, Slavoj. Primeiro como tragédia, depois como farsa. São Paulo: Boitempo, 2011.

___. Violência: seis reflexões laterais. São Paulo: Boitempo, 2014.